Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramos.
O barco sempre no mar
e o cavalo na montanha.
Com a sombra na cintura
ela sonha na varanda,
verde carne, tranças verdes,
com olhos de fria prata.
Verde que te quero verde.
No alto, a lua cigana.
As coisas a estão olhando
e ela não pode olhá-las.
*
Verde que te quero verde.
Grandes estrelas de geada
chegam com o peixe da sombra
que abre caminho à alvorada.
A figueira esfrega o seu vento
com a lixa de seus ramos,
e o monte, o gato gardunho,
eriça suas pitas acres.
Mas quem virá? E por onde?...
Ela ainda está na varanda,
verde carne, tranças verdes,
sonhando com o mar amargo.
Garcia Lorca
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