quarta-feira, 31 de agosto de 2011

GAZEL DA RAIZ AMARGA

Nem a mão mais pequena

Quebra a porta da água.


Aonde vais? Aonde? Aonde?

Há um céu de mil janelas

-batalha de abelhas lívidas-

e há uma raiz amarga.


Amarga.


Dói na planta do pé

O interior da cara,

E dói no tronco fresco

Da noite recém cortada.

Amor, inimigo meu,

Morde tua raiz amarga!


Federico Garcia Lorca

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