quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Romance sonâmbulo

Verde que te quero verde.

Verde vento. Verdes ramos.

O barco sempre no mar

e o cavalo na montanha.

Com a sombra na cintura

ela sonha na varanda,

verde carne, tranças verdes,

com olhos de fria prata.

Verde que te quero verde.

No alto, a lua cigana.

As coisas a estão olhando

e ela não pode olhá-las.



*



Verde que te quero verde.

Grandes estrelas de geada

chegam com o peixe da sombra

que abre caminho à alvorada.

A figueira esfrega o seu vento

com a lixa de seus ramos,

e o monte, o gato gardunho,

eriça suas pitas acres.

Mas quem virá? E por onde?...

Ela ainda está na varanda,

verde carne, tranças verdes,

sonhando com o mar amargo.

Garcia Lorca

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